Jovita Feitosa: a saga de uma mulher

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Jovita Feitosa nasceu na cidade cearense de Tauá, região dos Inhamuns, em 8 de março de 1848 e faleceu no Rio de Janeiro, em 9 de outubro de 1867. Na verdade Jovita era o apelido familiar de Antônia Alves Feitosa, que passou para a galeria de filhas ilustres do Brasil como uma ultrapatriota voluntária na campanha militar brasileira para Guerra do Paraguai (1864-1869) no posto de sargenta.

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JOVITA FEITOSA COM SEU FARDAMENTO MILITAR RECOBERTO PARCIALMENTE POR UMA SAIA. AUTORIA DESCONHECIDA.

Filha de Maximiano Bispo de Oliveira e Maria Alves Feitosa mudou-se, ainda adolescente (16 anos), após a morte de sua mãe vitimada por cólera, para Jaicós, porção sudeste do Piauí, com o propósito incial de viver na companhia de parentes. De Jaicós, por força de desentendimento com um tio, fugiu para cidade de Teresina, onde, aos 17 anos de idade, alistou-se para as forças militares da campanha da Guerra do Paraguai.

Jovita mobilizou entusiasticamente a pequena cidade de Jaicós e sua zona rural para que os piauienses fossem lutar voluntariamente pela pátria. Ela misturava-se com os soldados, afrontando todos os preconceitos da época. Atendendo ao apelo do imperador, as mães ofereciam os filhos para a luta, as damas doavam suas joias, e Jovita, como nada tinha a oferecer, arquitetou um plano para servir a pátria na Guerra do Paraguai.

A indomável Jovita disfarçou-se de homem: cortou o cabelo no estilo “alemão” ou “ militar”, amarrou os seios, usou chapéu de couro e foi à procura da guarnição provincial. Conseguiu enganar os olhos dos policiais, porém, ao visitar o mercado público foi delatada por uma mulher que logo lhe reconheceu traços femininos com predominância da etnia indígena, além dos furos de brincos nas orelhas.

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 OUTRA IMAGEM DE JOVITA FEITOSA. AUTORIA DESCONHECIDA.

Ao ser levada para interrogatório policial, chorou copiosamente e manifestou o desejo de ir lutar nas trincheiras, com a mão no bacamarte. Não queria ser auxiliar de enfermeira, pois, se assim o desejasse poderia fazê-lo. Dizia querer vingar a humilhação passada por seus compatriotas nas mãos dos desalmados paraguaios.

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 MILITARES BRASILEIROS NA GUERRA DO PARAGUAI. IMAGEM DE AUTORIA DESCONHECIDA.

Mesmo assim por seu exacerbado patriotismo foi aceita no efetivo do Estado, após o caso chamar a atenção de Franklin Dória (1836-1906), o Barão de Loreto, então presidente da Província do Piauí, que lhe incluiu no Exército Nacional como segundo sargento. Recebeu fardamento que deveria ser parcialmente recoberto por uma saia e embarcou com corpo de voluntário para Parnaíba, litoral piauiense.

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 O PRESIDENTE DA PROVÍNCIA DO PIAUÍ, QUE ACEITOU JOVITA NAS FORÇAS ARMADAS. AUTORIA DESCONHECIDA.

No navio a vapor que saiu de Teresina, a história registra que eram 335 voluntários que seguiram até Parnaíba onde recebeu o reforço de outros combatentes perfazendo o total de 1.302 piauienses que compunham o 2º Grupamento de Voluntários, sob o comando do major João Fernandes de Moraes. A viagem seguiu pelo Maranhão, por Pernambuco e chegou ao Rio de Janeiro, em 9 de setembro de 1865.

Ao chegar ao Rio, Jovita tornou-se personalidade pública e notória. Todos buscam conhecer a mulher do Piauí que corajosamente queria ir à guerra. Na capital imperial foi entrevistada numa das salas do quartel do campo de aclamação. Jovita chegou ao posto de primeiro-sargento, e recebeu homenagens e presentes por sua intenção de participação no conflito da Tripla Aliança.

No entanto, sabe-se que, ainda no Rio de Janeiro foi fastada da tropa, no final de 1865, pelo ministro da guerra por ser mulher. Foi expedido um ofício imperial, negando-lhe permissão para ir à frente de combate, dando-lhe apenas o direito de agregar-se ao Corpo de Mulheres que iria prestar serviços compatíveis com a natureza feminina. Impedida de se engajar nos combates, a jovem heroína viu seus sonhos patrióticos irem por terra e resolveu permanecer no Rio de Janeiro, decepcionada com o acontecido. 

Longe de sua terra e de sua família e fortemente amargurada pelas decisões de seus superiores militares, ainda na então capital federal se envolveu sentimentalmente com um engenheiro inglês de nome Guilherme Noot, passando a viver com ele na praia do Russel. Diz-se que, ao saber que o inglês fora embora sem deixar expliação alguma, entrou em profunda depressão e cometeu suicídio com uma punhalada no coração em 9 outubro de 1867, aos 19 anos de idade. Outras versões, contudo, relatam que ela teria ido ao teatro da guerra, no Paraguai, onde teria falecido na Batalha de Acosta Nû ou de Campo Grande (16 de agosto de 1869). Vale salientar que esta última versão é quase lendária.

Fontes:

http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/jovitafe.html

http://academiatauaense.blogspot.com.br/2007/06/jovita-alves-feitosa.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Jovita_Feitosa