Em dezembro de 2006, ao ouvir relatos dos mais antigos sobre a existência de um antigo cemitério no Bairro Guarani em Piracuruca, próximo à saída para o Parque Nacional de Sete Cidades, fiz uma busca nas imediações da já extinta fábrica de doces Nutrifort, no intuito de encontrar algum vestígio do lendário cemitério “Cruz da Almas”. Sobre esse local, no Livro Remexendo o Baú de Maria do Carmo Fortes de Britto, consta o seguinte:
Em tempos ainda mais remotos, pelos idos do século XIX, existiu um outro cemitério, conhecido por “Cruz das Almas”. Além de vestígios ainda existentes, há referências sobre ele nos livros de registros de óbitos do arquivo da igreja, datadas de 1870 e anos anteriores. Parece-me que ali eram sepultados os mais pobres e escravos, pois, embora existam somente ruínas, a simplicidade dos túmulos leva a tal conclusão. No entanto, o hábito que supomos ali exercido, não foi regra geral, tendo-se por referência os sepultamentos de escravos dentro da igreja de N. Sra. do Carmo. Hoje o Cemitério Cruz das Almas é quase sem referência, fica no bairro Guarani, mais precisamente nas proximidades da estrada de Sete Cidades.



LOCAL DA BUSCA PELOS VESTÍGIOS DO ANTIGO CEMITÉRIO
De acordo com o Dossiê de Tombamento de Piracuruca, no Cemitério “Cruz das Almas”, foram feitos sepultamentos até 1870.
De fato, eu ainda encontrei um pequeno cruzeiro isolado no meio da vegetação, o que aponta que ali existia um túmulo.

ÚLTUIMOS VESTÍGIOS DO ANTIGO CEMITÉRIO
Atualmente, o que existe nas proximidades do local, são imensos tanques para a criação de peixes, assim, o cemitério “Cruz das Almas” ficou para a história, deixando esse útimo registro.
F Gerson Meneses
F Gerson Meneses é natural de Piracuruca – PI, professor de informática do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia – IFPI / Campus Parnaíba – Piauí; Pós-Doutor em Arqueologia; Doutor em Biotecnologia; Mestre em Ciência da Computação; Especialista em Banco de Dados e em Análise de Sistemas; Bacharel em Ciência da Computação; Pesquisador em Computação Aplicada, destaque para pesquisas na área de Computação Visual com temas voltados para a Neurociência Computacional, onde estuda padrões em imagens do cérebro e Arqueologia Computacional, com estudos destinados ao realce, segmentação e vetorização de imagens de arte rupestre, incluindo a fotogrametria. Ganhador do Prêmio Luiz de Castro Farias (versão 2024), promovido pelo IPHAN, como melhor
Artigo Científico sobre a Preservação do Patrimônio Arqueológico brasileiro. Escritor, poeta, fotógrafo da natureza, colaborador do impresso "Piauí Poético" e de várias coletâneas, entre elas o "Almanaque da Parnaíba" e a série "Piauí em Letras".
Autor de várias obras, destaque para o livro "Ensaio histórico e genealógico dos Meneses da Piracuruca" (2022).
É idealizador e mantenedor do Portal Piracuruca (www.portalpiracuruca.com) e do periódico impresso Revista Ateneu (ISSN 2764-0701). Ambos os projetos existentes desde 1999 com a mesma finalidade, que é divulgar a exuberância de cenários, a cultura, a história, os mistérios, a pré-história, as lendas e as curiosidades do Piauí.
Desenvolve desde 2018 o Projeto Artes do Bitorocaia (www.portalpiracuruca.com/artes-do-bitorocaia/) que tem por objetivo o mapeamento e catalogação dos sítios arqueológicos com registros rupestres existentes no Piauí.