Virgulino Cambito o libertador do Nordeste – Parte 1

Uma mistura de ficção e realidade, coisas retiradas não sei de onde…ou será que sei?… não sei!

Vicente Antônio do Santo Maciel nasceu em 13 de março de 1970 na pequena cidade de Litigiópolis, um lugar isolado em um platô da Serra da Ibiapaba na margem do Rio Arabê, entre os Estados do Piauí e do Ceará. Era filho único e passou a ser conhecido desde a sua infância como Virgulino Cambito, o apelido foi dado por um professor de ensino religioso.

O professor Martinho viu em Vicente um certo ar visionário, era sempre inconformado, não aceitava a discriminação contra os mais pobres indefesos e nem contra os irmãos nordestinos. Se metia constantemente em confusões para defender os colegas mais fracos. Assim, logo criou uma milícia/bando dentro de uma escola primária de Litigiópolis. O professor então viu ali um pequeno Lampião de canela fina, o “Virgulino Cambito”.

Aceitando o apelido e incentivado pela nova alcunha, o agora Virgulino Cambito passou cada vez mais a demonstrar a sua personalidade rebelde. Resolve entrar para um movimento da igreja católica e mesmo abandonando o catecismo ele continuava envolvido. Sempre revoltado porque não aceitava que todo o dinheiro da oferta fosse para a Diocese sendo que a igreja da sua cidade era muito carente e pequena.

Na escola ele cria o Grêmio Estudantil, tempos depois é expulso e cria um grupo dissidente, esses dois grupos de jovens movimentaram a cidade de Litigiópolis. Muito comunicativo ele criou e passou a apresentar um programa no sistema de amplificadores da cidade, era chamado de “O arrasta pé empoeirado de Deus”. Era um programa de forró para jovens.

Um dia Virgulino Cambito resolveu saber a sua origem, ele havia perdido o pai com apenas 3 meses e poucos dias de vida. Seu pai Antonino Maciel tinha morrido de uma forte diarreia em 21 de junho de 1970, um mistério essa morte, ele era cartomante e fez alguns inimigos em uma cidade vizinha. Dizem que um veneno foi colocado por um de seus desafetos em um copo de cachaça, ao tomar ele derramou a última gota d’água até secar as tripas. Nesse fatídico e alegre dia, era o pai de Virgulino morrendo e o Brasil sagrando-se tricampeão mundial de futebol no México.

Investigando o passado de sua família, Virgulino queria saber algo que sua mãe Anedina não queria revelar, com muita insistência e até ele ameaçando fugir de casa, Anedina não resiste e resolve contar tudo. Na verdade o nosso Virgulino Cambito era trineto de Antônio Vicente Mendes Maciel, aquele mesmo o Antônio Conselheiro. Toda a ascendência até chegar em Virgulino Cambito tinha sido até aquele momento guardada a sete chaves, pois tinha se originado em um relacionamento do beato com uma cigana em 1868.

Ao saber que era descendente do Conselheiro com uma cigana, ele procurou saber de toda a história que envolveu seu famoso e polêmico trisavô. Assim, aos 15 anos Virgulino Cambito caiu eu si e passou então a saber a origem da sua personalidade rebelde. Isso veio a alimentar algo que ele já nutria a conta gotas, que era ser o líder de um movimento separatista do Nordeste brasileiro. Ele brincava sempre e dizia que: “do limite sul da Bahia pra baixo tudo realmente está debaixo de nós, temos o suficiente para sermos livres e independentes do Brasil, não precisamos deles!“.

Surpreendido, foi pego em um namoro muito comprometedor dentro da casa do prefeito da cidade, justamente com a sua filha mais nova. Era um amor adolescente e proibido pelo pai da garota, mesmo apaixonado, mas depois de ter arrumado essa grande confusão, Virgulino teve que sair da cidade com a sua mãe. Rumaram então para a Capital Federal, era o ano de 1985, um tempo de alvoroçado movimento político no Brasil com o fim da ditadura militar. Chegaram exatamente no dia 21 de abril, dia da morte de Tancredo Neves. Brasília respirava política e Virgulino Cambito acompanhava atento a todos os fatos, sentia-se esperançoso com todo aquele movimento das “Diretas Já” e a abertura democrática que parecia estar iniciando.

Instalaram-se na pequena Canudos, uma cidade satélite da Capital Federal formada em sua maioria por descendentes de candangos nordestinos. Ele então começou a ajudar a comunidade em busca de melhorias, foi um jovem líder comunitário e assim que completou a maioridade resolveu entrar para a politica filiando-se no PCU – Partido dos Candangos Unificados. Se destacou na política com um discurso que pregava a defesa das minorias.

Anedina foi trabalhar de doméstica e Virgulino entrou para a universidade em 1991 depois de tentar duas vezes o vestibular. Estudava muito, se preparava através do telecurso 2° Grau e em cursinhos comunitários, cursou filosofia. Pensava que talvez esse curso o ajudasse a entender e a administrar melhor todo esse seu temperamento revolucionário, de forma a torná-lo prático de fato ou saber como domá-lo.

Na universidade passou a consumir maconha, era um maconheiro fraco segundo os colegas pois arregava sempre na primeira lombra. Na verdade não queria se viciar e tinha receio da sua mãe descobrir, queria mesmo era que sua mãe se orgulhasse dele, queria vencer. Em meio a movimentos estudantis entrou para a UNE e foi lá que conheceu Cláudia Vaguete com quem começou um romance e foi através dela que ele deixou de fumar maconha.

Aos 26 anos, depois de formado ele resolve candidatar-se a deputado distrital já na eleição de 1998. Durante a campanha para a eleição ele percebe como são os bastidores da política, luta muito, trabalha muito mas não é eleito. O povo da pequena Canudos ver aí uma possibilidade de melhorias para a comunidade e o incentiva a continuar. Cada vez mais ele passa a ser o líder da comunidade.

Virgulino começa a entrar em conchavos políticos para tentar ser eleito em 2002, o que de fato acontece. Perto da sua posse a sua mãe morre de um acidente, o botijão de gás da patroa explodiu e levou Anedina aos ares. Ele é consolado por Cláudia e em 2003 casa-se com ela, pouco depois descobrem que ela não pode ter filhos e apesar de tudo permanecem juntos. Ele tem uma série de decepções políticas mas insiste, é reeleito em 2006 com muita dificuldade. Cada vez mais se envolve e percebe que está indo contra os seus ideais.

Em 2010 tenta candidatar-se para o Governo de Brasília mas a liderança do seu partido não aceita, ele tinha muitas opiniões contrárias aos líderes do partido. Revoltado, decide sair da política e passa a ser um crítico das elites, voltando-se aos ideais que havia deixado de lado por um tempo. Sentia-se decepcionado por não ter conseguido ajudar mais a sua comunidade. Nesse mesmo ano passa a ser professor de filosofia e consegue muitos seguidores dentro da academia.

Virgulino avança em conversas com colegas de Brasília e também pelas redes sociais, passam a tratar de assuntos sobre movimentos separatistas, algo que começa brando mas que foi ganhando corpo ao longo do tempo. Tanto que em 2015 ele é intimado a depor na Polícia Federal acusado de conspiração. A polícia descobre uma rede já articulada que visava tomar o poder nos 9 estados do nordeste e fundar a República de Belo Monte, Virgulino é preso.

Cláudia e um grupo de apoiadores conseguem tirar Virgulino da cadeira, eles o levam para a base de operações do movimento rebelde no Nordeste, próximo à cidade de Litigiópolis. Lá ele conta para Cláudia a sua origem que vem de Antônio Conselheiro, surpreendida, ela revela que coincidentemente é trineta de um dos comandantes militares que dizimaram Canudos em 1897. Passam então a tentar administrar essa delicada questão….continua