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O artesanato em Pedra-Sabão das Sete Cidades é muito mais do que uma arte, é um patrimônio cultural piauiense

Publicado em 28 de abril de 202028 de abril de 2020 por F Gerson Meneses

Torna-se importante, que a prática do artesanato em Pedra-Sabão seja continuada. Além do legado cultural, essa atividade é uma importante fonte de renda e  tende a ser ainda mais relevante. Isso, a partir de uma valorização, reconhecimento e divulgação por parte dos órgãos públicos de apoio à cultura, seja Municipal, Estadual ou Federal.

Uma forma bem peculiar de artesanato ainda resiste na localidade Vamos Vendo, esse simpático povoado de Piracuruca, colado ao portão norte do Parque Nacional de Sete Cidades, e portanto, fazendo parte da zona de amortecimento do Parque. Trata-se do artesanato em Pedra-Sabão. Quem já visitou o Parque Nacional de Sete Cidades, com certeza já foi apresentado a esse souvenir, que vem sendo produzido a pelo menos sete décadas pelos membros da família Monteiro.


São várias as representações em que prevalecem as temáticas e elementos existentes no Parque.

São animais, pontos turísticos, desenhos rupestres e tantos outros.


As formações rochosas e a arte rupestre do Parque Nacional de Sete Cidades são retratadas nas peças artesanais feitas em Pedra-Sabão.

As peças são produzidas no Quintal do Curiólogo, que é um empreendimento familiar de característica rústica que recebe visitantes e tem vários atrativos. O Quintal que também é mantido pela família Monteiro, foi tema de uma recente matéria da Revista Ateneu nº 2, janeiro de 2020.


Quintal do Curiólogo na localidade Vamos Vendo.

O processo de criação das peças artesanais envolve uma cadeia de ações totalmente artesanais e sustentáveis, sem o uso de máquinas, desde a extração do mineral argilito, que é a matéria-prima, até a confecção das peças. Os blocos de argilito são extraídos em uma mina localizada a cerca de 12 km do povoado Vamos Vendo.

Extração dos blocos de argilito na mina.


Blocos brutos de argilito prontos para serem lapidados.

Esse mineral é solúvel em contato com a água e bem semelhante ao sabão em barras, daí vem o nome de Pedra-Sabão.

De acordo com Osiel Monteiro (Curiólogo):

“… tudo começou por volta década de 50, quando um tio meu foi cavar um poço cacimbão para pegar água no verão e se deparou com esse tipo de rocha que lhe chamou a atenção, principalmente por poder ser cortada manualmente com faca ou cerrote. Ele trouxe aqui para a comunidade e um outro tio meu começou a lapidar e fazer formas que representam o nosso cotidiano, como os animais e as coisas existentes no Parque. Daí, um irmão meu aprendeu e passou a confeccionar as peças e vender elas no Parque.”


Osiel Monteiro, também é colaborador do ICMBio e guia turístico do Parque Nacional de Sete Cidades.

Osiel Monteiro mostra uma preocupação ao ver que a atividade começada, e continuada pelos membros da sua família, corre o risco de desaparecer pela falta de interesse, o que impede que novos artesãos continuem o legado e a cultura do artesanato em Pedra-Sabão. Para evitar isso, o mesmo tem buscado junto a órgãos como o SEBRAE e universidades, o apoio para a criação de oficinas e assim, possa ser repassada a técnica para outros membros da comunidade.

Ainda segundo Osiel: “Tem que ter o dom artístico para moldar as esculturas, e os únicos hoje, que ainda trabalham com essa atividade são os seus irmãos Edimar e Olímpio Monteiro”.


Edimar Monteiro, confeccionando uma peça artesanal em Pedra-Sabão.

Olímpio Monteiro em atividade artesanal.

No entanto, a habilidade criativa da família Monteiro não se limita ao artesanato em Pedra-Sabão, com um apurado e variado dom artístico, os irmãos Edimar e Olímpio Monteiro, usam outros elementos da natureza e produtos descartáveis para fazer arte. Todas as peças estão expostas para venda no Quintal do Curiólogo.


Outras peças artesanais feitas com madeira e produtos recicláveis, expostos para venda no Quintal do Curiólogo.

Torna-se importante, que a prática do artesanato em Pedra-Sabão seja continuada. Além do legado cultural, essa atividade é uma importante fonte de renda e  tende a ser ainda mais relevante. Isso, a partir de uma valorização, reconhecimento e divulgação por parte dos órgãos públicos de apoio à cultura, seja Municipal, Estadual ou Federal.

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CategoriasCultura e artesMarcaçõesargilito, curiólogo, Sete Cidades

F Gerson Meneses

F Gerson Meneses é natural de Piracuruca – PI, professor de informática do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia – IFPI / Campus Parnaíba – Piauí; Pós-Doutor em Arqueologia; Doutor em Biotecnologia; Mestre em Ciência da Computação; Especialista em Banco de Dados e em Análise de Sistemas; Bacharel em Ciência da Computação; Pesquisador em Computação Aplicada, destaque para pesquisas na área de Computação Visual com temas voltados para a Neurociência Computacional, onde estuda padrões em imagens do cérebro e Arqueologia Computacional, com estudos destinados ao realce, segmentação e vetorização de imagens de arte rupestre, incluindo a fotogrametria. Ganhador do Prêmio Luiz de Castro Farias (versão 2024), promovido pelo IPHAN, como melhor Artigo Científico sobre a Preservação do Patrimônio Arqueológico brasileiro. Escritor, poeta, fotógrafo da natureza, colaborador do impresso "Piauí Poético" e de várias coletâneas, entre elas o "Almanaque da Parnaíba" e a série "Piauí em Letras". Autor de várias obras, destaque para o livro "Ensaio histórico e genealógico dos Meneses da Piracuruca" (2022). É idealizador e mantenedor do Portal Piracuruca (www.portalpiracuruca.com) e do periódico impresso Revista Ateneu (ISSN 2764-0701). Ambos os projetos existentes desde 1999 com a mesma finalidade, que é divulgar a exuberância de cenários, a cultura, a história, os mistérios, a pré-história, as lendas e as curiosidades do Piauí. Desenvolve desde 2018 o Projeto Artes do Bitorocaia (www.portalpiracuruca.com/artes-do-bitorocaia/) que tem por objetivo o mapeamento e catalogação dos sítios arqueológicos com registros rupestres existentes no Piauí.

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